Buenas pessoal, tudo em paz?!
Conforme prometido vou contar um pouco da minha "vida após a moto", situação que levou cerca de 08 meses entre a habilitação para moto e a efetiva compra da "Lucy (in the sky with diamonds)" - sim, para quem não sabe, tal como os barcos, as nossas motos costumam receber nomes, e há quem mande personalizar a pintura com a alcunha da "moça". Me recordo que eu estava completando 28 anos, se não estou enganado foi uma das últimas vezes em que conseguimos reunir família e amigos para comer umas pizzas em casa. Entre um bate-papo e outro com os amigos uma fugidinha no computador para mostrar ao meu irmão de convívio, o Proko, as opções de motos semi-novas com preços honestos, no caso a candidata mais forte era uma Intruder 125, 2007/2008, com baixa quilometragem (que mais tarde fui descobrir que não era lá assim tão baixa, nada demais, mas trocar um pneu que deu fim de vida com apenas 9 mil km não tem cabimento... coisas de "brasileiros 'espertos'" alterando odômetros...). A questão principal era a seguinte: meus pais nem podiam sonhar que eu estava comprando uma moto e eu, bem... eu tinha apenas uns R$ 300,00 para dar de entrada... Fui ao meu banco, fiz inúmeras simulações de financiamentos/empréstimos e descobri que só conseguiria 70 % do valor cotado pela chamada "Tabela FIPE"... Na época tinha uma namorada que ganhava um bom salário e me emprestou uma grana (paguei tudo certinho, como meus pais me ensinaram hehehe) e assim pude comprar a tão sonhada moto! A compra foi exatamente um mês após o falecimento do meu avô materno, o qual nunca teve nenhum veículo automotor em sua vida e acredito que ficaria feliz com a conquista do neto, o que não se aplica à sua filha e genro, não que não tivessem orgulho, mas o receio era muito maior!
Pois bem, 15 de Agosto de 2008, um pouco tarde, mas em boa hora, vou buscar minha motoca e já começo bem, paro na loja dos meus primos para orçar a instalação de um alarme corta corrente (guardem este item, falarei sobre ele qualquer hora...affff!!!!) e ao sair da loja não baixo a viseira e tampouco coloco o óculos de sol, subo uma avenida movimentada e me vem um daqueles formigões de asas, direto no cantinho entre o olho e o nariz... consigo subir a calçada e desligar a moto sem maiores problemas, mas levei uns 10 minutos para limpar o olho dos resquícios do pobre inseto... Pensa numa pessoa agoniada!
Bueno, uma coisa que ninguém conta é que moto é bem diferente de bicicleta pra andar no trânsito (óbvio), mas confesso que nos primeiros dias, ainda pegando a manha, cheguei a pensar comigo: "Que merd* que eu fui inventar de comprar moto?!?!" Mas isso foi apenas até eu ficar mais esperto e um certo dia precisar sair do trabalho na "hora do rush" e ir para uma consulta médica. A sensação de passar por entre o carros parados e me deslocar com muito mais agilidade foi um tanto quanto prazerosa, não posso negar, e desde então prefiro estar sempre sobre as duas rodas de uma motoca, tanto para rodar na cidade quanto para pegar a estrada.
Mas a situação mais marcante daquela época foi o fato que que meu brother, o Proko, e mais outros amigos mais recentes (Giuliano, Túlio, Ricardo, Vinícius, Matheus...) pretendiam viajar até o encontro de motos na cidade de Melo, no país vizinho Uruguai, distante cerca de 500 km de Porto Alegre, isso já mais ou menos planejado por eles antes mesmo de eu ter comprado a moto. Pois o que aconteceu é que chegou a época da viagem, Novembro de 2008, e simplesmente nenhum deles teve como viajar, um tinha um casamento fora do estado, outro recém tinha sido papai, outro não conseguiu folga e por assim foi... E eu já havia solicitado minhas férias, tinha tudo certo pra viajar, moto em dia, um barraquinha, colchão inflável, tudo certo. Pois eu fui sozinho, o "Seu Proko" passou na minha casa pra dar um apoio moral e ajudar na amarração da bagagem na motoca, pelo que me recordo até fez uma escolta por alguns km. Fiz uma viagem tranquila, parei diversas vezes, sem pressa, passei por Camaquã (lembram? Cidade onde morei na infância), encontrei uma tia e aqueles amigos que me emprestavam suas bicicletas, sendo que um deles se tornou tatuador e prometi que no retorno faria uma tatuagem com ele.
Nesta história de seguir sem pressa, tirando fotos, abastecendo em praticamente tudo que era posto que tinha pelo caminho (moto semi-nova, sem marcador de combustível, por segurança até saber a autonomia certa da "Lucy" foi deste jeito), cheguei em Melo no fim de tarde (esqueci de dizer que saí de Porto Alegre por volta das 08hs e 30 min da manhã), sem conhecer ninguém do meio motociclístico, encontrei apenas uma bike (sim, uma bicicleta, uma reclinada não muito comum de se ver por aí) do amigo Graxa que mora em Butiá (sim, ele pedalou cerca de 400 km)
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| Edimar da Silva "Graxa" e sua reclinada. |
mas não estava junto da sua bike naquele momento. Cabe aqui um grande parênteses ao Graxa, um sujeito dotado de uma humildade tremenda, que participa de Desafios Individuais (lembram que comentei sobre os Audax no post anterior?!), muitas vezes dependendo da ajuda de terceiros que já o deixaram na mão, são provas que não tem premiação, mas que exigem o pagamento de inscrições para a manutenção das provas, e ele não possui um patrocinador/apoiador oficial, portanto se tu tem condições de dar uma força pra esse cara, com certeza não irá se arrepender, ele já pedalou muito mais do que muitos não chegaram a rodar de moto. Voltando a questão da minha chegada ao encontro, saí cuidando as bandeiras dos moto clubes, na intenção de ver algum de Porto Alegre, vi umas motos com placas de Porto Alegre, Viamão, Pelotas e Florianópolis-SC (uma Boulevard 800 com escape "JJ" do até hoje amigo Morales, um rondo lindo que ainda hoje me encanta só de lembrar), todos num mesmo grupo, eram alguns dos "Cavaleiros da Liberdade", mas ainda segui fazendo o reconhecimento do local até chegar novamente ao local onde estavam os Cavaleiros, a moto apagou ao pegar um buraco no meio do gramado do camping, chamando a atenção deles, aproveitei pra descontrair e disse: " cansou a bichinha" e perguntei se estavam num grupo fechado, ao que me responderam que podia encostar por ali. Vejam que interessante, havia apenas um sujeito que regulava de idade comigo, os demais eram sexagenários, todos curtindo o fim de tarde e sem frescura em me ajudar a arrumar um local para arrumar a barraca, mesmo nunca tendo me visto na vida, com um detalhe que fiquei sabendo logo em seguida, um dos sujeitos, o Chico, morava a cerca de 3 quadras da minha casa e só fomos nos conhecer lá, 500 km distante de casa, coisas do mundo motociclístico. Curtimos a noite uruguaia com algumas pizzas e poucos chopes, apenas o suficiente para poder pegar no sono em meio ao burburinho do evento. No domingo, como em qualquer encontro de motos, o pessoal já acorda se organizando para retornar à estrada, muitos antes mesmo do almoço, especialmente por causa da distância.
Pois eis que o pessoal do grupo levanta acampamento e eu aproveito o tempo livre para pôr o papo em dia com meu amigo Graxa, o qual já conhecia o moto clube organizador do encontro e me sugere aproveitar para conhecer mais um pedaço do Uruguai. Com a ajuda de um dos integrantes do "Moto Maníacos" e o mapa do RS que geograficamente mostra uma boa parte do Uruguai decidi seguir viagem num roteiro que foi o seguinte: Saí de Melo na tarde de domingo, passei por Arbolito, um local histórico onde existe um mausoléu em homenagem aos soldados que guerrearam na "Batalha de Arbolito"
onde constam placas indicando pelo campo afora onde foram travados cada
um dos confrontos. Investi algum tempo registrando fotos que estão
perdidas em algum HD por aqui... Com o cair da tarde segui viagem e fui
parar na "Quebrada de Los Cuervos", uma reserva ecológica onde havia
energia elétrica apenas na portaria. Detalhe, o sujeito que vos escreve
não havia almoçado e na reserva havia apenas alimentos crus... Porém o
zelador me indicou que procurasse pelo sr.
"Rossé" e sua família, pois eles ainda estavam no local após terem atendido uma excursão e deveriam ter algo para comer. Dito e feito, prontamente agilizaram um prato farto e "una cerveza" de litro, o que me satisfez e me ajudou a tombar cedo, cerca de 20 hs eu já estava dormindo, para no dia seguinte acordar cedo e fazer uma caminhada pela reserva. Outro detalhe: eu tinha dito que não havia luz, correto? Pois é, o chuveiro era uma espécie de serpentina de cobre, em cuja base se depositava uma porção de álcool para manter o calor e aquecer a água, que por sua vez era só um "fio d'água", ou seja, eu precisei deslocar a bandeja do álcool para não tomar um banho escaldante com pouca água... Outra situação, eu levei barraca e colchão, mas não tinha lona para proteger do sereno... Restaram duas opções, montar a barraca atrás de um casebre de barro na intenção de me resguardar do vento, ou debaixo de um carroção, cujas rodas tinham a minha altura (1,70 m), o qual foi minha (sábia) escolha.
Após a caminhada matutina segui viagem até a cidade de "Treinta y tres", passando por "José Pedro Varela", "Lascano" e chegando ao Chuy, que faz fronteira com o Chuí/Brasil e por consequência onde há os cobiçados "free shops". fiz algumas compras e senti algo diferente na moto, o que deduzi ser o peso dos itens adquiridos, porém não era... E eu só vou contar o que aconteceu numa próximo postagem, pois não foi resolvido no dia e rendeu mais algumas visitas no trajeto...
Até a próxima!




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