sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Minha primeira moto!

Buenas pessoal, tudo em paz?!
Conforme prometido vou contar um pouco da minha "vida após a moto", situação que levou cerca de 08 meses entre a habilitação para moto e a efetiva compra da "Lucy (in the sky with diamonds)" - sim, para quem não sabe, tal como os barcos, as nossas motos costumam receber nomes, e há quem mande personalizar a pintura com a alcunha da "moça". Me recordo que eu estava completando 28 anos, se não estou enganado foi uma das últimas vezes em que conseguimos reunir família e amigos para comer umas pizzas em casa. Entre um bate-papo e outro com os amigos uma fugidinha no computador para mostrar ao meu irmão de convívio, o Proko, as opções de motos semi-novas com preços honestos, no caso a candidata mais forte era uma Intruder 125, 2007/2008, com baixa quilometragem (que mais tarde fui descobrir que não era lá assim tão baixa, nada demais, mas trocar um pneu que deu fim de vida com apenas 9 mil km não tem cabimento... coisas de "brasileiros 'espertos'" alterando odômetros...). A questão principal era a seguinte: meus pais nem podiam sonhar que eu estava comprando uma moto e eu, bem... eu tinha apenas uns R$ 300,00 para dar de entrada... Fui ao meu banco, fiz inúmeras simulações de financiamentos/empréstimos e descobri que só conseguiria 70 % do valor cotado pela chamada "Tabela FIPE"... Na época tinha uma namorada que ganhava um bom salário e me emprestou uma grana (paguei tudo certinho, como meus pais me ensinaram hehehe) e assim pude comprar a tão sonhada moto! A compra foi exatamente um mês após o falecimento do meu avô materno, o qual nunca teve nenhum veículo automotor em sua vida e acredito que ficaria feliz com a conquista do neto, o que não se aplica à sua filha e genro, não que não tivessem orgulho, mas o receio era muito maior!

Pois bem, 15 de Agosto de 2008, um pouco tarde, mas em boa hora, vou buscar minha motoca e já começo bem, paro na loja dos meus primos para orçar a instalação de um alarme corta corrente (guardem este item, falarei sobre ele qualquer hora...affff!!!!) e ao sair da loja não baixo a viseira e tampouco coloco o óculos de sol, subo uma avenida movimentada e me vem um daqueles formigões de asas, direto no cantinho entre o olho e o nariz... consigo subir a calçada e desligar a moto sem maiores problemas, mas levei uns 10 minutos para limpar o olho dos resquícios do pobre inseto... Pensa numa pessoa agoniada!
Bueno, uma coisa que ninguém conta é que moto é bem diferente de bicicleta pra andar no trânsito (óbvio), mas confesso que nos primeiros dias, ainda pegando a manha, cheguei a pensar comigo: "Que merd* que eu fui inventar de comprar moto?!?!" Mas isso foi apenas até eu ficar mais esperto e um certo dia precisar sair do trabalho na "hora do rush" e ir para uma consulta médica. A sensação de passar por entre o carros parados e me deslocar com muito mais agilidade foi um tanto quanto prazerosa, não posso negar, e desde então prefiro estar sempre sobre as duas rodas de uma motoca, tanto para rodar na cidade quanto para pegar a estrada.

Mas a situação mais marcante daquela época foi o fato que que meu brother, o Proko, e mais outros amigos mais recentes (Giuliano, Túlio, Ricardo, Vinícius, Matheus...) pretendiam viajar até o encontro de motos na cidade de Melo, no país vizinho Uruguai, distante cerca de 500 km de Porto Alegre, isso já mais ou menos planejado por eles antes mesmo de eu ter comprado a moto. Pois o que aconteceu é que chegou a época da viagem, Novembro de 2008, e simplesmente nenhum deles teve como viajar, um tinha um casamento fora do estado, outro recém tinha sido papai, outro não conseguiu folga e por assim foi... E eu já havia solicitado minhas férias, tinha tudo certo pra viajar, moto em dia, um barraquinha, colchão inflável, tudo certo. Pois eu fui sozinho, o "Seu Proko" passou na minha casa pra dar um apoio moral e ajudar na amarração da bagagem na motoca, pelo que me recordo até fez uma escolta por alguns km. Fiz uma viagem tranquila, parei diversas vezes, sem pressa, passei por Camaquã (lembram? Cidade onde morei na infância), encontrei uma tia e aqueles amigos que me emprestavam suas bicicletas, sendo que um deles se tornou tatuador e prometi que no retorno faria uma tatuagem com ele.

Nesta história de seguir sem pressa, tirando fotos, abastecendo em praticamente tudo que era posto que tinha pelo caminho (moto semi-nova, sem marcador de combustível, por segurança até saber a autonomia certa da "Lucy" foi deste jeito), cheguei em Melo no fim de tarde (esqueci de dizer que saí de Porto Alegre por volta das 08hs e 30 min da manhã), sem conhecer ninguém do meio motociclístico, encontrei apenas uma bike (sim, uma bicicleta, uma reclinada não muito comum de se ver por aí) do amigo Graxa que mora em Butiá (sim, ele pedalou cerca de 400 km)

Edimar da Silva "Graxa" e sua reclinada.
mas não estava junto da sua bike naquele momento. Cabe aqui um grande parênteses ao Graxa, um sujeito dotado de uma humildade tremenda, que participa de Desafios Individuais (lembram que comentei sobre os Audax no post anterior?!), muitas vezes dependendo da ajuda de terceiros que já o deixaram na mão, são provas que não tem premiação, mas que exigem o pagamento de inscrições para a manutenção das provas, e ele não possui um patrocinador/apoiador oficial, portanto se tu tem condições de dar uma força pra esse cara, com certeza não irá se arrepender, ele já pedalou muito mais do que muitos não chegaram a rodar de moto. Voltando a questão da minha chegada ao encontro, saí cuidando as bandeiras dos moto clubes, na intenção de ver algum de Porto Alegre, vi umas motos com placas de Porto Alegre, Viamão, Pelotas e Florianópolis-SC (uma Boulevard 800 com escape "JJ" do até hoje amigo Morales, um rondo lindo que ainda hoje me encanta só de lembrar), todos  num mesmo grupo, eram alguns dos "Cavaleiros da Liberdade", mas ainda segui fazendo o reconhecimento do local até chegar novamente ao local onde estavam os Cavaleiros, a moto apagou ao pegar um buraco no meio do gramado do camping, chamando a atenção deles, aproveitei pra descontrair e disse: " cansou a bichinha" e perguntei se estavam num grupo fechado, ao que me responderam que podia encostar por ali. Vejam que interessante, havia apenas um sujeito que regulava de idade comigo, os demais eram sexagenários, todos curtindo o fim de tarde e sem frescura em me ajudar a arrumar um local para arrumar a barraca, mesmo nunca tendo me visto na vida, com um detalhe que fiquei sabendo logo em seguida, um dos sujeitos, o Chico, morava a cerca de 3 quadras da minha casa e só fomos nos conhecer lá, 500 km distante de casa, coisas do mundo motociclístico. Curtimos a noite uruguaia com algumas pizzas e poucos chopes, apenas o suficiente para poder pegar no sono em meio ao burburinho do evento. No domingo, como em qualquer encontro de motos, o pessoal já acorda se organizando para retornar à estrada, muitos antes mesmo do almoço, especialmente por causa da distância.

Pois eis que o pessoal do grupo levanta acampamento e eu aproveito o tempo livre para pôr o papo em dia com meu amigo Graxa, o qual já conhecia o moto clube organizador do encontro e me sugere aproveitar para conhecer mais um pedaço do Uruguai. Com a ajuda de um dos integrantes do "Moto Maníacos" e o mapa do RS que geograficamente mostra uma boa parte do Uruguai decidi seguir viagem num roteiro que foi o seguinte: Saí de Melo na tarde de domingo, passei por Arbolito, um local histórico onde existe um mausoléu em homenagem aos soldados que guerrearam na "Batalha de Arbolito" 


onde constam placas indicando pelo campo afora onde foram travados cada um dos confrontos. Investi algum tempo registrando fotos que estão perdidas em algum HD por aqui... Com o cair da tarde segui viagem e fui parar na "Quebrada de Los Cuervos", uma reserva ecológica onde havia energia elétrica apenas na portaria. Detalhe, o sujeito que vos escreve não havia almoçado e na reserva havia apenas alimentos crus... Porém o zelador me indicou que procurasse pelo sr.
"Rossé" e sua família, pois eles ainda estavam no local após terem atendido uma excursão e deveriam ter algo para comer. Dito e feito, prontamente agilizaram um prato farto e "una cerveza" de litro, o que me satisfez e me ajudou a tombar cedo, cerca de 20 hs eu já estava dormindo, para no dia seguinte acordar cedo e fazer uma caminhada pela reserva. Outro detalhe: eu tinha dito que não havia luz, correto? Pois é, o chuveiro era uma espécie de serpentina de cobre, em cuja base se depositava uma porção de álcool para manter o calor e aquecer a água, que por sua vez era só um "fio d'água", ou seja, eu precisei deslocar a bandeja do álcool para não tomar um banho escaldante com pouca água... Outra situação, eu levei barraca e colchão, mas não tinha lona para proteger do sereno... Restaram duas opções, montar a barraca atrás de um casebre de barro na intenção de me resguardar do vento, ou debaixo de um carroção, cujas rodas tinham a minha altura (1,70 m), o qual foi minha (sábia) escolha.


Após a caminhada matutina segui viagem até a cidade de "Treinta y tres", passando por "José Pedro Varela", "Lascano" e chegando ao Chuy, que faz fronteira com o Chuí/Brasil e por consequência onde há os cobiçados "free shops". fiz algumas compras e senti algo diferente na moto, o que deduzi ser o peso dos itens adquiridos, porém não era... E eu só vou contar o que aconteceu numa próximo postagem, pois não foi resolvido no dia e rendeu mais algumas visitas no trajeto...


Até a próxima!

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Recordações

Buenas pessoas, tudo em paz?! 
Como vocês já viram resolvi relatar um pouco da minha história sobre rodas (especialmente me des-equilibrando sobre duas), pois desde que o homo sapiens a inventou são raros os casos em que alguém vem ao mundo sem ter se deslocado sobre algo que tenha rodinhas e quase certo que vai partir desta pra melhor da mesma forma...

Minha história fora da barriga da mãe começa na tarde de 11 de Agosto de 1980,
Cartaz feito pelo meu velho para anunciar minha chegada.
mas eu só tenho lembranças a partir de 1985, quando a família morava na cidade de Viamão (região metropolina de Porto Alegre-RS), me recordo especialmente de um triciclo de metal, vermelho, tipo aquele usado pelo boneco do filme “Jogos Mortais”, depois um buggy amarelo à pedal que era a alegria dos vizinhos, uma volta pra cada um, até o dia em que quebrou uma roda e não teve mais conserto,  e por fim uma daquelas imitações baratas de “velotrol” de algum super-herói, tudo de plástico que, obviamente, não durou muito tempo... Naquela época, para o deslocamento da família, meus pais tinham um Dodge Polara 1800, ano 1973, cinza, o qual eu achava que tinha nos levado com parte da mudança quando fomos morar na cidade de Camaquã, distante cerca de 100 km da capital gaúcha, mas conversando com ele na verdade fomos num Corcel I, vermelho, que pifou no meio do caminho.... Mas sei que logo o “Doginho” foi pra reforma e meu pai comprou uma bicicleta para nos deslocarmos, uma “Barra Circular”, lembro que ia na garupa enquanto ele empurrava a bicicleta, de mão dada com minha mãe, foi praticamente nesta época que descobri o meu (des)equilíbrio...

Primeira lembrança boa de 1986, já em Camaquã, uma moto CG, de cor marrom, em tom metálico, propriedade do irmão de criação do meu coroa, o finado tio Ozí, muitos passeios de moto sem capacete, em que a minha segurança era preservada na tentativa de abraçar por completo a pança do tio (meus bracinhos não venciam a circunferência abdominal daquele sujeito bonachão que dizia: “Segura firme!” e saía feliz da vida).

Finado tio Ozí, sua motoca (descobri a razão de eu gostar tanto desse tom de marrom) e eu banguela.

Mas vamos a minha primeira tentativa desequilibrada: uma Berlineta azul, aro 16, de alguma vizinha, numa leve lomba (descida, para quem não é gaúcho) na rua de casa, consegui manter o equilíbrio... mas não a trajetória... naquele pavor típico de piá, me fui à parede da segunda casa da rua... Apenas alguns esfolados, sobrevivi! Algumas semanas depois uma Caloi Cross, de um vizinho maior, banco numa altura maior do que minha estatura exigia, ponta dos pés para alcançar os pedais, meu velho me segurando e eu citando repetidas vezes a frase típica “Não me solta pai! Não me solta pai!”, mas quando percebi estava muitos metros longe dele, quase no fim do beco onde morávamos, consegui parar e descer sem cair, só não consegui subir de volta e voltei empurrando :-P

Depois disso foram muitos passeios de moto, sempre agarrado na pança do tio, pois fomos morar no centro da cidadezinha, e quando não estava na garupa da “Barra Circular” estava na garupa do tio. Neste outro endereço fiz amizade com dois vizinhos que moravam em frente, o Ítalo, que tinha uma Monaretinha marrom aro 16, e o Nader que tinha a famosa BMX, aro 20, ambas a minha disposição, e também foi nesta época que montamos, os três, um carrinho de lomba, mesmo sem ter nenhuma lomba por perto, nos revezávamos empurrando pelas calçadas :-D

Só fui ter minha primeira bicicleta em 1991, já morando novamente em Porto Alegre, uma Monareta verde, aro 20, fabricada em 1980, com freio contra-pedal, a qual era motivo de chacota para alguns daqueles que tinham suas “Caloi Cross” e “Bmx”, mas também motivo de tanto orgulho que eu a possuo até hoje, inclusive aguardando uma restauração, mas isto é assunto pra outra hora. Pois bem, a Monareta foi o primeiro passo, ou melhor, a primeira pedalada :-D para minha autonomia fora das “asas protetoras” dos meus pais, com ela desbravei os bairros próximos onde morávamos, e em seguida, 1992, fomos morar no local onde permanecemos por mais de 20 anos. Já dominava a arte de pular cordões de calçadas, ensaiava algumas empinadas e um belo dia resolvi descer um barranco de uma praça próxima de casa, tão íngreme que o pessoal sentava num papelão e descia deslizando na grama (famoso ski-bunda), e eu soltava o peso no freio contra pedal e mesmo assim a bicicleta “descia à milhão”, repeti algumas vezes até que numa dessas tinha um tijolo pela frente, lembro de levantar voo e aterrissar de lado, ficando com a roupa toda verde de deslizar pela grama... Nada demais, “só o susto”! Foi com esta mesma Monareta que aprendi a consertar bikes, meu pai me ensinou algumas coisas e outras fui aprendendo de curioso, só não tomei vergonha na cara e até hoje nunca me prestei a aprender a centrar uma roda...

Mas adiante ganhei uma Caloi Cross Freestyle II, verde claro, quase nova (já tinha o compromisso do trabalho no comércio dos meus pais, o coroa não me dava um salário propriamente dito, mas sempre dizia: “O que tu precisar tu me pede.”), com ela aprendi a voar, literalmente, usando um desnível entre as calçadas dos vizinhos próximos como impulsão, lembro da cara de pavor de alguns vizinhos e do espanto de um outro garoto que tinha quase a mesma idade e logo aprendeu a repetir os saltos. Boas lembranças, mas também a pior lembrança da infância: na noite do meu aniversário de 13 anos, estava numa esquina a poucos metros de casa, vi um cara numa bicicleta, uma “Light” branca com peças vermelhas, e outro a pé chegarem perto perguntando sobre o pneu dianteiro da minha bike (era novinho, com os chamados cabelinhos), desconversei sentindo a maldade e atravessei a rua, porém era uma avenida de grande movimento e não pude atravessar de volta na frente de casa, fui até a faixa de pedestres mais adiante para atravessar  e quando chegava perto do local dos meus gloriosos saltos ví os dois caras voltando na contramão, um deles de pé na garupa, saltou direto em mim, fomos ao chão e dei um jeito de segurar a bike, era o cara puxando de um lado e eu de outro, mas entre socos e pontapés fui vencido e o f.d.p. levou a bicicleta que fazia minha alegria... Corri gritando até a frente de casa (meus pais tinham uma lancheria que ficava aberta até certa hora da noite pra atender os tiozinhos bebedores de trago) e para o meu azar quiseram todos entrar no carro com o meu pai pra irem atrás dos meliantes... claro que perderam tempo e nem sinal dos caras...

Passado isso ganhei outra bike algum tempo depois, mas era uma coisa tosca, daquelas que algum infeliz pintou a pincel, aros, raios e cubos pintados sem desmontar, no pior tom de marrom “puxa-puxa” que alguém possa imaginar (mas fez a alegria da minha irmã mais velha, que usou ela algum tempo e depois vendeu por alguns trocados)... Felizmente tinha um vizinho que comprava peças e montava as chamadas “montain bike”, meu pai comprou uma delas e aí sim passei a pedalar cada vez mais longe de casa, até o ponto de passar as tardes de domingo inteiras fora, pedalando até a zona sul da cidade, passando por todos os parques, sempre reunindo os amigos da escola, ou os amigos que moravam na mesma quadra, isso entre meus 13 aos 16 anos. Depois do final do colégio e com os amigos mais velhos seguindo outras rotinas passei a pedalar sozinho, todas noites depois do trabalho, cheguei a pedalar 50 km por noite no meu auge, porém não tinha noção de seguir dietas e queimava muita massa muscular, pesava 62 kilos com a altura de 1,70 m. A bike era o meu meio de transporte também, tive outras “montain bikes” enquanto ainda trabalhava com meus pais, uma estragava e eu ganhava outra um pouquinho melhor, chegando numa época que não tinha mais bicicletas funcionando, ganhei uma do meu primeiro patrão, sabem aqueles casos em que o sujeito tem uma bike atirada num canto e não usa? Foi esse o caso. Primeiro ele me emprestou e depois disse que eu podia ficar com ela. Mais adiante meu segundo patrão tinha uma Caloi 10 na mesma situação, ofereci para comprá-la e a esposa dele disse que deixasse por lá pois eles tinham os filhos que podiam querer usar (realmente um deles usou, e muito! E quando decidiram me doar a bicicleta já tive que ir direto pra uma oficina pois precisava de pneus e outros reparos). Neste meio tempo, como eu tinha espaço pra guardar as bicicletas dos vizinhos, sempre que alguma das minhas estragava e eu não tinha paciência ou grana pra consertar, acabava usando alguma outra emprestada, e também entre um namoro e outro passei alguns períodos sem pedalar. Me lembro ainda de uma fase rebelde da adolescência, havia arranhado a pintura de um carro do meu pai, queria tirar a habilitação de motorista mas entre os desentendimentos fui advertido que não iria pegar o carro mesmo depois de habilitado, na época um Escort prata, 1994, com cerca de 04 anos de uso (um dos carros mais novos que meu coroa já teve), pois foi entre uma discussão e outra que peguei o dinheiro que era para a Auto Escola e comprei uma bicicleta nova, a única que comprei zero até hoje, lembro que meu amigo Prokopiuk comprou uma igual, fomos de ônibus buscar uma e depois outra, pois pegávamos no depósito da loja, ainda desmontadas, para depois agendar com o montador autorizado (senão perdia a garantia). Em resumo, cheguei num ponto que eu tinha cerca de 08 bicicletas em casa, eu trabalhava numa franquia dos Correios e fiquei sabendo da campanha do “Papai Noel dos Correios”, fui ver as cartas das crianças, li uma, pedia uma bicicleta para dividir com o irmão, li outra, pedia uma bicicleta pra ir pra escola, li outra e mais outra e todas que pediam bicicletas fui separando, então pedi autorização pro meu amigo Lourenço, que era proprietário de uma das bikes velhas que tinha em casa e pro meu pai pois uma das bikes era da minha irmã mais nova (que até hoje não aprendeu a pedalar, infelizmente... Confesso que sinto um pouco de culpa, se ela tivesse a oportunidade de conhecer a vida sobre uma bike provavelmente não teria decidido virar freira...) mas enfim, catei 05 bicicletas, levei pra revisão e larguei num dos Centros de Distribuição dos Correios que serviu para intermediar o transporte e posterior entrega às crianças. Me senti feliz em poder proporcionar isto para aquelas crianças, mesmo desconhecidas, mas mais tarde me dei conta de que tinha amigos próximos que também teriam ficado felizes se ganhassem uma bicicleta mesmo velha, inclusive um deles usou umas delas para se locomover durante um bom tempo pois estava numa situação financeira econômica delicada, depois melhorou um pouco e me devolveu a bike, que ficou parada em casa... Com isto aprendi a olhar mais para quem está próximo da gente, pois não adianta estender a mão a um desconhecido e negligenciar que está ao teu lado. Dizem que se conselho fosse bom não seria de graça, mas eu lhes aconselho, reflitam sobre isso.

Entre estas idas e vindas, uma namorada e outra, parei de pedalar e engordei 10 kilos, voltei a pedalar, consegui manter uma rotina de treinos e participei de 04 desafios individuais, no formato conhecido como AUDAX, foram 03 desafios de 200 km e outro de 300 km, que ficam pra ser relatados num outro momento, só digo que tive mais duas bicicletas e ainda as mantenho, junto da Monareta e uma outra que resolvi montar após catar tudo que tinha sobrando em casa...


Enfim, usei bicicleta até os meus 28 anos, pensei em montar uma bike bacana pra competir em corridas de aventura e coisas do tipo, porém na metade da lista de peças a conta estava em R$ 2.500,00, foi quando finalmente decidi comprar uma moto. Detalhe, tinha cerca de R$ 300,00 disponíveis e meus pais nem podiam ouvir falar em moto, era voto vencido, “moto é muito perigoso” eles diziam, mal sabiam eles do perigo que era pedalar pelo trânsito de Porto Alegre... Mas este relato fica para a próxima postagem, com o compromisso de que o foco será “a vida após a moto”. 
Abraço!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Opa, tudo em paz?!

Opa, tudo em paz?! Antes de prosseguirmos com mais assuntos veja se tu te identificas com alguma dessas situações ou se pelo menos elas aguçam tua curiosidade:

- Tem lembranças remota de uma infância bacana;
- Te esfolou aprendendo a te equilibrar em duas rodas;
- Aprendeu a andar de bicicleta na magrela de um vizinho;
- Teus familiares nem querem pensar em te ver numa moto;
- Comprou a primeira moto com dinheiro emprestado de uma namorada, as moedas do cofrinho e mais um financiamento do banco;
- Jamais viajaria sozinho de moto;
- Jamais viajaria de moto acompanhado;
- Nunca imaginou viajar de moto 125... Ainda mais por 10 dias seguidos;
- Jamais viajaria de moto... “Tá loco?!”
- Já ficou sem gasolina num lugar que não tem nada em volta;
- Perdeu uma balsa por causa do vento contra;
- Furou um pneu na estrada e teve que arranjar onde dormir, e ao invés de reclamar aproveitou para conhecer mais lugares na região onde estava;
- Aiaiai uiuiui... Como vou sair de moto quando chove?
- Motoclube? Bando de cara mal encarado e brigão?
- Andar de moto a semana toda e ainda precisar andar de moto no final de semana?
- Desempregado e com uma moto na garagem?
- Motoboy? Aquele cara que eu falo mal no trânsito e agradeço muito quando chega com meu rango ou me quebra um galho quando eu tô encrencado
- Sonha em ter uma moto
- Sonha em ter uma moto customizada
- Chora ao lembrar da moto original que nunca te deixou na mão
- Acha que nunca vai conseguir comprar aquela moto dos sonhos
- Só pensa em moto
- Só fala em moto
- Respira moto?

Bueno, então te aprochega, toma assento, prepara um mate, um café ou abre aquela gelada e sinta-se em casa! Só não tire a roupa! Ou tire, só não precisa divulgar imagens!

Procurarei relatar aqui minha vivência neste mundo sobre rodas, seja uma, duas, três, quatro, seis, doze...

Quem sabe tu não te identifica? Ou toma coragem pra levantar do sofá?

Bora lá! Em breve postagens de fundamento, ou não... Relacionadas ao que consta acima, ou nada a ver também, eu que inventei isso, vai que alguém me pede pra escrever sobre algo, vai saber ...

Até logo mais!